Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”

Iriê Salomão de Campos

 

 

RELIGIÃO E LEI MORAL

 

Nestes tempos de rápidas mudanças comportamentais, rompimento e queda de valores, a esperança de melhorias vai escasseando e levando à desilusão, perigosamente empurrando o homem a viver cada dia como se fosse o último. Um tempo de atitudes inconseqüentes, das quais herdaremos os resultados. Aprendemos no Espiritismo a existência do Livre Arbítrio, que nos torna artífices do próprio destino, somando ao aprendizado da reencarnação. Descobrimos que o tempo como tal não existe, somos eternos em espírito e verdade. A Doutrina Espírita é um vasto manancial de conhecimento sobre a vida espiritual no planeta Terra e o mais aprofundado estudo fora dele também. São ensinamentos que amenizam as dores na justa medida que rompem horizontes, descortinando as Leis Morais ensinadas por Jesus.

 As religiões falam de milagres, parábolas e detalhes da vida do Cristo e outros personagens de então, mas nenhuma destaca as Leis Morais que são fonte libertária e de progresso, não de cativeiro sob o jugo sacerdotal. Cabe ao Cristianismo utilizar ao máximo a Divina Sabedoria na construção do homem de bem e não o temor a Deus como princípio de todas as coisas. Ao estabelecer um código de conduta proibitiva generalizada a todos os adeptos, a religião comete profundos equívocos; nivela todos como absolutamente iguais, esquecendo-se da individualidade natural; e, se é natural, é de Deus, o homem não tem direito de alterar.

Acatando a conduta codificada, brota a sensação de superioridade frente aos demais, pelo simples fato de cumprir as regras religiosas, o que se desdobra em abandono da continuidade do esforço de aperfeiçoamento, limitando-se à pequenez da materialidade. Daí ser tão importante o progresso moral. O Livro dos Espíritos ensina que “... verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza”, continua Kardec, “Examinando sua consciência, o homem se pergunta não fiz mal nenhum, mas realizei o bem suficiente?”. O espírito encarnado exercita sua elevação, quando rege os atos de sua vida corporal pelas leis de Deus e, quando compreende, por antecipação, a vida espiritual. Esse ser humano repleto de serenidade torna-se capaz de praticar a caridade em sua mais profunda expressão, faz o bem pelo bem. Não contando com qualquer retribuição, chega a desenvolver a capacidade amorável de sacrificar seu interesse em benefício do bem comum. O catecismo ou outro manual religioso é instrumento dilatador de conhecimento. É o antigo ensinamento: “Conhece-te a ti mesmo”. Entendemos a profundidade dessa máxima, assim como a dificuldade de nos conhecermos. Como fazê-lo, se tememos a Deus, o nosso Criador?  Agostinho nos deu a resposta pela psicografia: “Fazei o que fazia de minha vida sobre a Terra: ao fim da jornada, eu interrogava minha consciência, passava em revista o que fizera, e me perguntava se não faltara algum dever, se ninguém tinha nada a lamentar de mim. Foi assim que consegui conhecer-me e ver o que havia para reformar em mim”.

Neste mundo materialista de tantas religiões, de templos em cada esquina, como escândalos por minuto, o que nos falta senão voltarmos a atenção para o íntimo, deixando de lado as convenções improdutivas e modismos perigosos. Examinemos de maneira constante nossas atitudes, pensemos se agora fôssemos chamados de volta à pátria espiritual, que mensagem legaria aos nossos que ficaram no planeta? Com o raciocínio claro, vasculhemos o passado recente na busca de infrações contra as leis morais e corrijamos a dificuldade causada a outrem, enfim, contra nós mesmos.

Se a vida profissional o levou à condição de chefia, trate o subordinado com respeito e benevolência, porque são seus iguais diante do Criador. Usemos de nossa autoridade para a elevação moral e não como alimento do orgulho. Como ensina Jesus“: perdoa as ofensas para não se recordar senão dos benefícios, porque sabe que lhe será perdoado como ele próprio tiver perdoado.”                  

 

 

 

 

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