Por que,
hoje, Ele nos abandonaria?
Comunidade Espírita “ A
Casa do Caminho”
Isabel Salomão de Campos
O século XX, marcado por grandes
descobertas, trouxe à humanidade a conquista maior: a vitória do espírito, que
rompendo os túmulos frios fez-se ouvir, utilizando-se das nuances mediúnicas
amplamente propagadas nas escrituras se comunicou com o mundo visível através de
mãos abnegadas que patrocinaram o reencontro ou da sutileza de que se investe a
intuição.
Após incansáveis dias de trabalho, a
codificação da Doutrina dos Espíritos era entregue ao mundo por Allan Kardec,
este espírito missionário que, na grandiosidade desta doutrina, fez-nos conhecer
o Consolador anunciado por Jesus: “Eu vou a meu Pai, mas não vos deixarei
órfãos. Vos enviarei o Consolador que ficará convosco por todos os
tempos”
Eis que neste manancial de ensinamentos, o
Evangelho resplandece e de suas páginas a luz do espírito eterno ilumina toda a
caminhada do ser humano que, pelo desconhecimento, era pontilhada de lágrimas,
angústias e sofrimentos, O Cristo estava morto, crucificado, vencido pelo mundo.
Na suntuosidade que imitava a civilização de sua época, o pequeno Messias
envolto em faixas era acomodado numa manjedoura e entre os animais se
apresentava para o censo de Belém.
O calvário fora a recompensa de uma vida
dedicada ao próximo... O que seria então de cada um de nós? A visão ofuscada
pelo emaranhado de dogmas e rituais detinha-se nos sofrimentos impostos pelo
materialismo reinante... Retirado o véu que distanciava-nos dos sublimes
ensinamentos a vida ganhava um novo e sublimado sentido: Jesus estava vivo! A
razão da manjedoura fazia-se em nossas consciências. A humildade estava
incorporada naquele espírito que se chamou Jesus e tornou-se o Cristo de
Deus.
No grandioso gesto de José e Maria que numa
estalagem trouxeram ao mundo a verdadeira mensagem do amor, a simplicidade e a
coragem daquelas almas descerravam a mais bela paisagem aos nossos olhos. E, a
luz que ali se fez, nem os séculos conseguiram apagar. Nascia ali aquele que
pela inigualável lealdade às leis do Pai e soberana obediência aos Seus
desígnios era o filho amado de Deus. Durante Sua gloriosa passagem pelo planeta
anunciou a eternidade da vida, concedeu à divina criação armas poderosas a fim
de que enfrentem os flagelos destruidores que existem dentro de si mesmos. Com o
amor incondicional, que envolveu a multidão ao trazer para junto de si os
corações aflitos e oprimidos, aniquilou o egoísmo; no poder vivenciado no cimo
do Gólgota o orgulho foi derrotado e a coragem ergueu-se em favor da humanidade.
No Jardim das Oliveiras, na nobreza do Pai-Nosso, deixa a certeza de que
era Ele nosso irmão e todos nós
filhos do mesmo Pai.
Mas nos fizemos surdos e calamos a nossa voz
desprezando Sua sublime presença entre nós. A Ciência ocupa nossos sentidos, a
tecnologia invade nossos lares, o homem conquista o espaço infinito e chega à
Lua. Se o Cristo deixou os planos celestiais e veio estar conosco quando a
maldade e a ignorância entendiam-se tão bem, por que Ele nos abandonaria agora
que o amamos e já o reconhecemos como o Caminho, a Verdade e a
Vida?
Jesus está vivo, tenhamos esta certeza. Ele
não é o Jesus de há dois mil anos, mas o Jesus Mestre, Amigo, Médico, de hoje e
de todos os tempos!
Esta é a grande conquista do milênio que se
findou marcado por duas grandes guerras mundiais, mas também pela derrubada de
muros que dividiam espaços físicos e separavam a raça humana. É a lucidez de
nossas consciências conquistada pelo advento do espiritismo, é o entendimento da
razão da vida, o porquê de tantos sofrimentos, com a convicção de que somos mais
fortes do que eles, pois estes são do mundo e nós somos de Deus. É o
alvissareiro entrelaçar dos sentimentos em torno desta mensagem magnífica que na
humildade da manjedoura enriqueceu nossas existências de espíritos eternos. É a
liberdade de podermos dizer Jesus existe e eu creio! Entretanto, queremos
assinalar o 3º milênio com conquistas ainda maiores que nascem da
vivência de tão sublimes lições, conhecer a nós mesmos; guerrear os íntimos
sentimentos enraizados pelos descaminhos e vencer nossas más tendências,
derrubar os muros do orgulho, do ciúme, da maledicência, da ignorância e da
indolência que coloca irmão contra irmão separando os homens de
Bem.
Queremos brindar o século XXI, enfrentando
com dignidade de divina filiação o “bom combate”, reconciliando-nos conosco
mesmos e na essência das lições contidas no Cristianismo vencer o mundo e
recomeçar. Agora, no entanto, no anseio pleno da Lei Maior do amai-vos uns aos
outros, fazendo conhecida e vivenciada a mensagem de Deus para que seja o
planeta Terra mais uma morada do Pai.
Para isto fomos criados; para isto aqui
estamos.
Comunidade Espírita " A Casa do
Caminho"
Isabel Salomão de Campos
Artigo extraído do livro Edificando Almas, da mesma autora