Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”

Iriê Salomão de Campos

O Espiritismo e a Bíblia 

 

 A Bíblia, nome que significa O Livro, é na verdade uma biblioteca, reunindo os livros mais variados da religião hebraica conhecida como Leis Mosaicas, porque surgiram e se desenvolveram com Moisés. As leis morais da Bíblia podem ser resumidas nos Dez Mandamentos ditados a Moisés, no Sinai, pelo guia espiritual da família de Abraão, que a tradição cuidou de transformar em Deus de Israel. Desempenhando uma grande missão, preparava o povo judeu para o monoteísmo, a crença em um só Deus. Essa foi uma das primeiras e bem documentada psicografia, ou seja, escrita pelo espírito, o mesmo fenômeno que regeu a vida do médium (em grego charismata) Francisco Cândido Xavier.

Profetas de ontem são os médiuns de hoje, simples questão de semântica. Nos versículos 22 a 31 do Deuteronômio, temos a descrição da passagem onde:... do monte Herobe envolto em chamas, a nuvem de fluidos desce, é a voz direta de Jeová, que falava em meio ao fogo, sem se apresentar ao povo. Aí encontramos a mediunidade da psicofonia, quando o espírito fala utilizando-se do intermediário, o médium. Naquele tempo, os espíritos eram chamados deuses. Jeová era o espírito-guia do povo hebreu, e por isso considerado como o seu Deus, o único e verdadeiro. Os relatos históricos da Bíblia oscilam entre a ingenuidade e a violência de um deus aplicando maldições contra aqueles que nele não acreditam. É a escritura destinada a um povo agrícola, de pouco saído do estado nômade, ainda na infância social. Apesar de ser considerada como “a palavra de Deus”, estabelece, para sua interpretação, regras humanas. Dessa maneira, é o homem quem faz Deus dizer o que interessa. A Bíblia é sim a “palavra de Deus” trazida na mensagem dos espíritos reveladores, através dos quais recebe a humanidade os divinos ensinamentos, que não estão prontos e acabados, são sim, remetidos a nós dentro das possibilidades de nossa compreensão e força motriz de progresso.

O grande médium de Deus é o Jesus de Nazaré, que se fez O Cristo de Deus ao vivenciar a divina sabedoria, razão de sua vinda ao planeta Terra. O Novo Testamento, como se costuma chamar os Evangelhos de Jesus, trazem a inédita mensagem, substituindo o Deus-guerreiro da Bíblia histórica pelo Deus-amor do Sermão da Montanha. Livros distintos ligados pela mensagem espiritual e profética, na mais absoluta capacidade de compreensão em sua época. É um livro mediúnico, que em nada deve ser temido, nem por isso aceito cega e dogmaticamente; é necessário separar o que há nele de humano e de divino. Exercitando o ensinamento de Allan Kardec: “enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade”, esta é a fé que nos motiva a estudar, progredir, para fazer a vontade do Pai. Caso contrário, cairemos no fanatismo religioso, que nos impede a visão do todo, tornando-nos religiosos separatistas, ferindo o ensinamento de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Ou então nos tornamos materialistas, cientificistas, como aqueles surgidos nos anos de 1980, que previam a morte de Deus. Interessante que tudo começou com os próprios teólogos, os chamados doutores na ciência de Deus, ou são as  igrejas, que se julgam guardiãs de Deus devem salvá-lo da morte iminente. Como fazê-lo se a idéia de um Deus antropomórfico, semelhante ao homem é cabível somente na infância da humanidade, ou é a imagem mental de um Deus ídolo perecível criado pelos adoradores de imagens?

Tudo deve progredir na justa dinâmica. O Cristianismo nos foi entregue pronto a ser vivenciado nas palavras e atitudes; cabe a nós libertarmo-nos dos grilhões do passado, elevar a vista aos céus tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir. No capítulo XIV, do Evangelho de Lucas, Jesus afirma que o Espírito da Verdade viria completar e restabelecer os seus ensinamentos. Kardec afirma que o Espiritismo é a chave da Bíblia e dos Evangelhos, por encerrar na seqüência lógica e histórica o ciclo iniciado com Moisés. Todos os que estudam despidos de seitas e dogmas conseguem compreender e aprender que o Espírito da Verdade esclarece o passado em função do presente, e este em relação ao futuro; tal como é a lei: nascer, morrer, renascer, progredindo sempre.

 

 

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