Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”

Iriê Salomão de Campos

 

Inteligência e progresso

 

Os grandes pensadores em comum têm o exercício de refletir sobre inteligência. Milhares de páginas são preenchidas com espetaculares arranjos de raciocínios literários, desde Platão que descreve o Mito da Caverna ( Livro VII A República 380 a 370 aC.) Esse quando imagina um determinado número de pessoas acorrentadas ao fundo de uma caverna com pouca luminosidade, que as permitiam ver senão a silhueta de quem passava lá fora distante, sombras daqueles que carregavam utensílios e objetos sobre suas cabeças, criando uma imagem irreal do real.Retirados da escuridão, a primeira sensação é a cegueira provocada pela exuberância  da luz de Hélio (sol);  então começam a identificar as verdadeiras imagens daquilo que antes eram sombras. Ainda estupefatos, eles se deparariam com a existência de um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que foram criados. O universo da ciência e o do conhecimento, por inteiro, se escancaravam perante eles, podendo então vislumbrar e embevecer-se com o mundo das formas perfeitas, seguindo cada liberto o seu caminho, percebendo o mundo a sua volta, segundo sua capacidade, o que entendemos por inteligência.

Kardec afirma em O Livro dos Espíritos que a inteligência é uma faculdade que se faz presente com pensamento, na maneira de agir, no reconhecimento próprio da existência e sua individualidade, bem como os meios de estabelecermos o intercâmbio com o mundo e de prover as necessidades pessoais e coletivas estabelecidas a partir do nível moral. Por essa razão é que o progresso não se realiza simultaneamente, em todos os sentidos.Em uma etapa, avança-se nas ciências, outra na moralidade, mas a caminhada humana é sempre de ascendência, mesmo que a ela sejamos insensíveis. Queiramos ou não, o progresso se dará. Esse é um evento em que o ser humano e uma ou outra instituição pode tentar interferir, pode até desacelerar, porém nunca impedirá a marcha do progresso, visto que ele é lei de Deus.

O Cristo em sua vinda ao planeta alavancou a inteligência nos retirando da caverna, explicando o verdadeiro sentido da vida. Meu reino não é deste mundo, ensinou Ele. Amar, perdoar e servir exemplificou. Teve a coragem, nascida da certeza de Deus, de recusar os títulos terrenos, entregando-se à cruz da infâmia é mostrando que nada no mundo vale o divino. Entender o Cristo em sua mensagem é negar toda a materialidade em que se vive hoje. Nunca tivemos tantas igrejas e templos, tantos cânticos e rezas.Tão pouco Cristianismo. A cada dia a humanidade está mais voltada para as sombras da caverna vivendo e vendo o que supõe ser fato, encaminhada por falsos profetas que a mantém ajoelhada aos pés do santo de barro, ou sob o temor de um inferno dantesco e da culpa de um pecado original, descrito nos tempos medievais por homens temerosos escondidos no reino das sombras.

Progredir sempre, tal é a lei; o que significa libertar-se das crenças do passado, não pelo fato de serem antigas, mas por não corresponderem às necessidades presentes neste planeta de tanto progresso científico. É necessário crescer moralmente, entendendo por moral a vivência cristã. Perceber que somos um espírito milenar, momentaneamente reencarnado como tal, que temos responsabilidades com o nosso próximo e que a vida não é uma seqüência de fatos desordenados regidos pelo acaso ou um pagamento de dívidas. Vivemos segundo nossos atos do passado remoto, o hoje é fruto do ontem, o amanhã resulta do presente. Somos espíritos em marcha para a evolução. Reconhecer o sopro divino nesta espiritualidade encarnada é de grande importância, pois assim deixamos de lado o egoísmo para abraçar a fraternidade, abandonamos o temor a Deus, substituindo-o pelo Amor a Deus, esquecemos as diferenças religiosas aprendendo que religião é o religar ao Pai e não um ato litúrgico.

Saindo da caverna lenta e progressivamente, ofuscados pelo brilho do sol vamos descobrindo que a inteligência espiritual é indispensável para compreender o que Jesus ensina quando diz “Eu sou o caminho a verdade e a vida.”

 

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