Comunidade Espírita “ A Casa do Caminho”
Isabel Salomão de
Campos
No despretensioso folhear dos jornais do dia, nos noticiários da TV, vamos buscando pelos últimos acontecimentos do país e do mundo, chegando mesmo a pensar que retornamos à idade média ou à barbárie. Crimes hediondos marcam a crescente violência nas grandes cidades onde, curiosamente, cresce igualmente o nível de escolaridade. Em pleno século XXI, estamos diante de cenas de indescritíveis crueldades quando o ser humano, criado por Deus, não se limita ao roubo, mas incendeia e mata, assaltando caras emoções, jogando por terra os sonhos de um lar. Por outro lado, a grandiosidade da natureza, sempre admirada por seus encantos, demonstra seu poder numa triste reação às agressões que vem sofrendo ao longo dos tempos. A água das chuvas, que renova o ar, serena, fertiliza o solo e chega aos rios e mares tornando-se fonte inigualável de riquezas e força geradora capaz de iluminar uma nação de raras extensões, é agora, temida, perigosa e indesejada. Do desrespeito às dádivas que enobrecem nossas existências, a começar pelo nosso semelhante, nasce a tragédia que vai entristecendo os nossos corações.
Com Doutrina dos Espíritos, na fé raciocinada que ela nos concita, reconhecemos que nossos destinos estão regidos por uma lei de causa e efeito. E, os sofrimentos aí estão. Implacáveis, tornam-se nossos insistentes cobradores. Antes do corpo físico, passageiro e perecível, somos espírito. Antigo, milenar, eterno e, com grandes responsabilidades perante as Leis de Deus. Nosso pensamento é força inquestionável, portanto, se nos prendermos aos sofrimentos, eles ganham vida, chegando mesmo a ameaçar-nos. Mas, se nos ligarmos ao mundo superior amigo, seremos capazes de, com discernimento e extrema coragem, vencê-los, conscientes de que há séculos eles vem se enraizando na nossa alma e no nosso sentimento.
Colhemos neste presente, os frutos de um passado que ao longo dos descaminhos fomos pontilhando. Eis que a misericórdia do Pai Criador é infinita e, no transcorrer das reencarnações, nos reencontramos para fazer sorrir a quem fizemos chorar e, diante de situações diversas entenderemos definitivamente seus múltiplos e grandiosos significados. Desatentos, temos vivido num ir e vir desenfreado. Sanados os problemas que nos afligiam, nossas mentes perdem-se novamente nos devaneios, nos mesmos erros, nas mesmas inconseqüências. Há muito, assim como o próprio ser humano, a natureza vem sendo desrespeitada na pureza de suas origens. Magoada por estar ferida em seus princípios, ela reage e lança seus protestos. Seu grito é de alerta para que as consciências despertem para a essência da vida: o espírito imortal, capaz de promover uma revolução moral, no renovar de hábitos e costumes, no resgate da vida em família, a fim de que acompanhemos os avanços científicos e façamos juz a tecnologia moderna, sem contudo, perdermos a graça e o encanto que caracterizam a belíssima natureza humana. É preciso, por instantes, esquecer o mundo lá fora, e vislumbrar as verdades que os céus nos fizeram chegar com a presença do Cristo entre nós.É imprescindível, aliviar o peso de nossa bagagem e não nos comprometer ainda mais, edificar sem destruir, educar as almas sem domesticar os sentimentos e refazer os ideais para que as dificuldades que nos levam às lágrimas sejam o elo que nos reconduzirá a Deus.
É urgente assumir os deveres que temos
com Jesus, reconhecer e respeitar os limites da natureza e de cada uma das almas
encarnadas e seguir em frente na ascensão espiritual. Desta forma estarão nossos
direitos assegurados numa vida correta e digna, e a abundância do Criador e Pai
se fará em favor de todos, num Brasil sem fronteiras que abraça os cidadãos, que
assim como nós, escolheram esta pátria como berço acolhedor. Unamo-nos em torno
do Bem. Jesus, o nosso Mestre, é médico e advogado sublime. Confiemos pois!