Comunidade Espírita “A Casa do
Caminho”
Iriê Salomão de
Campos
Fora da caridade não
há salvação
“Ainda
quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se
eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine;
-ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e
tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível,
até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E,
quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse
entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de
nada me serviria. A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é
invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; não é
desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa
alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a
verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.” ( PAULO, 1ª Epístola aos
Coríntios).
Portanto sejamos
caridosos, exercitemos não somente essa caridade que nos leva a tirar da bolsa a
moeda que é dada friamente àquele que pede, mas também aquela que vai ao
encontro das misérias ocultas, que é indulgente para com os defeitos dos
semelhantes, que em lugar de menosprezar a ignorância e o vício, instrui para a
vital melhoria. Sejamos afáveis e benevolentes com os mais modestos, dando-lhes
estímulos e condições de renovação interior. Esses conselhos de Vicente de Paulo
nos despertam para o exercício da caridade em sua plena intenção, corroborando
Jesus quando afirma que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo
como a nós mesmos. O amor ao próximo só é possível, quando compreendemos a
filiação Divina que a seu turno é reforçada pela fé, quando entendemos que a
vida não se inicia no berço e muito menos termina no túmulo. A vida é benção de
Deus; e a reencarnação, o instrumento da Sua justiça, sobre a qual nenhum ser
humano ou instituição terrena tem poder, pois é divina. O amor edifica; concita-nos Paulo de Tarso: “Amparem-se mutuamente, todos os dias, durante o
tempo que se chama hoje, para que nenhum de vocês endureça o coração pelo engano
das quedas morais. Acheguem-se com confiança
no Mundo Espiritual Superior, para que vocês possam alcançar misericórdia e
encontrarem-se com a alegria cristã, a fim de serem ajudados pelos céus em tempo
oportuno.” A caridade é o fermento que provoca o crescimento do pão da fé
através de mudanças que precisam ser efetivadas na rotina plena, vencendo a
inércia do comodismo, que começa no seio doméstico, restabelecendo o diálogo, os
carinhos vivificantes da emoção, para despertar em nós a lição de Jesus sobre
uma única família, a universal. Questionado por Pedro de como faria para ajudar
a tantos, o Cristo respondeu: “A reforma do mundo se inicia sob o telhado de
vossa casa”. Isso é reforma íntima. Se temos dificuldades com o próximo que
ora ocupa lugar de parente, como
auxiliaremos o estranho?
A verdadeira
caridade é sempre benevolente; ela está mais no gesto que no fato. Um trabalho
realizado com delicadeza e esmero tem duplo valor, pois, enquanto é executado,
exercita-se a paciência e a atenção no detalhes daquilo que lhe é rotineiro.
Diferente do que é feito sem carinho; aí o coração não é tocado, ficando a
emoção sujeita aos sentimentos mundanos. Quando benevolente, bloqueamos a
ostentação, que, aos olhos de Deus, retira o mérito do favor executado.
Lembremos novamente o Cristo Jesus: “Que vossa mão esquerda ignore o que dá a
vossa mão direita”.
O ser humano, ainda em estágio embrionário perante a evolução espiritual à qual está fadado, não deve entender as coisas de Deus via interpretação pessoal ou religiosa, deste ou d’outro tempo, porque essas coisas só podem ser conhecidas espiritualmente. Daí a afirmativa de Allan Kardec de que fora da caridade não há salvação, pois esta, como a fé, não se apóia no conhecimento dos homens confundidos deste mundo, mas no poder de Deus.