Comunidade
Espírita “A Casa do Caminho”
Iriê
Salomão de Campos
Divino
recomeço
Todo
trabalho produz fadiga; a luta causa sempre dor; mas é de ações realizadas que
resultam a felicidade e a perfeição. Certo é que não somos perfeitos, a filiação
Divina no lega a condição de sermos perfectíveis, ou seja, dotados de
inteligência para buscar a perfeição, que não se dá em uma só vida, o que por si
só explica a realidade da reencarnação. O divino recomeço é calcado na justiça
de Deus; não há privilégios nem eleitos; todos, sem exceção, recomeçamos no
berço segundo os méritos do nosso desempenho na aplicação das Leis.
O
planeta Terra nos foi legado pelo Supremo Criador como residência, onde
reiniciamos a nossa tarefa. Descanso só na primeira infância, todo o tempo é de
esforço e luta contra os tropeços. Nos primórdios da humanidade, digladiamos
contra as feras, embrenhamos pelas matas e desertos, combatemos o inóspito,
transformando-o em cidades e metrópoles. Foi vencida a escravidão, e lançados ao
esquecimento os eclesiásticos da inquisição. Nas décadas recentes, as
democracias proliferaram por toda a casa terrena, levando cada pessoa a gozar a
liberdade, que significa mais responsabilidade individual para o equilíbrio
coletivo. Muito já caminhamos, outro tanto ainda devemos percorrer.
Materialmente atingimos toda ordem de progresso, porém a jornada presente exige
mais que o ter ou possuir. Vencer as prisões interiores, abrindo as celas de
nossas lembranças menos felizes, causa das amarguras limitadoras do nosso
refinamento espiritual ensinado e exemplificado pelo Nazareno, sem o qual a vida
não passa de um amontoado de dias.
Em um dos encontros de Jesus com os
fariseus, a Ele foi perguntado quando viria o Reino de Deus. Ao que respondeu:
“O Reino de Deus não vem visivelmente, nem dirão Ei-lo aqui! Ei-lo acolá! Porque o Reino
de Deus está no meio de vós!” Para a maioria das pessoas, incluindo muitos
religiosos, Reino de Deus se faz presente com mostras exteriores, roupas
engalanadas, autoridades e exibições de poder e força. O homem com o cacoete de
materializar tudo que é divino dificilmente compreende as lições espirituais. O
Reino não está em lugar determinado nem se fará nesta ou naquela nação ou
cidade, como não existe terra santa ou um único portador da verdade e herdeiro
do Cristo. Afirmativas aparentemente chocantes, na realidade pedem uma quebra de
conceitos, um esforço de sentidos para buscarmos o Reino em nós mesmos, desde
que a Lei permaneça
Para
conseguirmos tudo isso, é necessário superarmos os tropeços, é a evolução moral
ensinada por Jesus e revivida pela Doutrina Espírita sem o véu dos ritos
voltados somente para a sabedoria das palavras orientadoras e atuais do
Código Divino. Quando Jesus alerta
sobre o vendilhões do templo, nos diz: fiquem atentos aos mercadores e falsários
do Cristianismo, já que, mesmo quando estes falam dos céus, têm seus olhos
esbugalhados na terra. Ainda é preciso aprender a ver que Cristianismo não é a
inutilidade do formalismo religioso em seus templos encastelados. Entender e
viver como quem sabe o seu papel no destino da existência, esse é todo o
trabalho de construir e reconstruir a vida, enquadrando-a no projeto de
edificação do bem comum. Jesus condenava firmemente a materialidade, porque o
ser humano não foi criado para pisotear a lama e sim para elevar-se pela nobreza
da alma nas conquistas do amor ao próximo, vencendo o egoísmo por amor a
Deus.